Fevereiro 20, 2019

A Geap não pode significar Grupo Especial de Acomodação Política

Recentemente um colunista de importante revista de circulação nacional publicou nota intitulada “Os fins e os meios” que é bastante preocupante, pois afirma que o Ministro Onyx Lorenzoni resolveu aceitar, em prol da aprovação da reforma da previdência, indicações de políticos para alguns braços da administração federal, entre os quais a Geap Autogestão em Saúde.  A notícia em questão já seria um absurdo em qualquer contexto, mas torna-se ainda mais grave quando envolve uma entidade que, em tese, deveria cuidar da saúde dos seus beneficiários.

A Geap é uma Fundação que apesar de estar constituída sob o regime de direito privado, é patrocinada pelo poder público que se responsabiliza pelo custeio total ou parcial dos serviços oferecidos pela Geap. Por esta razão, dirigentes e membros do conselho são indicados pelo governo, tal como acontece com a Petrobras e o Banco do Brasil, havendo, portanto, pouca liberdade de gestão e muita ingerência política.

São patrocinadores de planos administrados pela Geap a União, estados, Distrito Federal e municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações de direito público. Com isso, a Geap tem acesso privilegiado a servidores públicos e a uma série de entes da administração pública direta e indireta que são estimulados a aderir a esse plano de saúde.

Mesmo sendo uma Fundação de direito privado, no entanto, na prática a Geap atende a interesses políticos de agentes públicos. Não é de hoje que a Fundação está passando por sérias dificuldades e não consegue sair do regime especial de Direção Fiscal há uns cinco anos.  Tal regime é uma espécie de intervenção que ocorre quando uma operadora de plano de saúde passa a ser acompanhada de perto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) por apresentar anormalidades graves de natureza econômico-financeira que podem colocar em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde dos seus beneficiários. Faturando em torno de R$ 4 bilhões por ano, a Geap tem um rombo aproximado de R$ 300 milhões de reais.

Passaram pela empresa profissionais com amplo conhecimento técnico que não conseguiram permanecer por muito tempo e concluir seus trabalhos exatamente por conta das ingerências políticas. Pois bem, a Direção Fiscal foi renovada em janeiro último, não havendo perspectivas concretas para que a Geap deixe, no curto prazo, a preocupante situação na qual se encontra. Em função disto, me pergunto inclusive se não seria mais adequado, após tanto tempo nesta grave situação econômico-financeira, se definir pela liquidação da operadora. Com a palavra a ANS.

Já do ponto de vista da gestão, é premente o afastamento dos atuais dirigentes e a substituição destes por um corpo técnico capaz de reerguer e preservar a Fundação. Além disso, os contratos deveriam ser auditados em sua totalidade, abrangendo desde empresas de tecnologia da informação a serviços de advocacia e assistência odontológica, entre outros. O assunto em questão é mais que urgente dada a relevância da instituição e o impacto altamente nefasto do desmantelamento promovido por apadrinhados políticos.

Entre os inúmeros motivos para tal, cabe destacar que a Geap possui a maior carteira de idosos entre as operadoras de planos de saúde e se a empresa ruir o impacto social será devastador. Por este e outros tantos motivos, faz-se necessária a intervenção imediata do poder público.

Errará feio, portanto, o Ministro Onyx Lorenzoni se aceitar que a Geap continue a ser um Grupo Especial de Acomodação Política simplesmente para poder atender ao necessário apoio para a reforma da previdência. Os fins jamais podem justificar os meios.

Resumo:

Em prol da aprovação da reforma da previdência, já há indícios de indicações políticas para braços da administração federal, como a Geap Autogestão em Saúde que, em tese, deveria estar cuidando da saúde dos seus beneficiários.

Recent posts

Programming School

Mauris maximus sed eros eget posuere. Integer at pellentesque!
We recommend
Featured posts